É generalizada a percepção de esgotamento físico e mental, sobrecarga de trabalho e confusão dos múltiplos papéis sociais que exercemos durante este prolongado período de pandemia. Enquanto o desemprego avança como ajuste inevitável da menor atividade econômica mundial e as empresas buscam novos modelos de trabalho, a sociedade em geral tenta repactuar rotinas familiares com escolas fechadas e uma nova divisão de tarefas domésticas. Afinal de contas, permanecemos sendo – em tempo integral – mães, pais, filhos, avôs, avós e amigos.

Entretanto, as mulheres foram mais afetadas negativamente, especialmente as mulheres negras. Este é um dos muitos insights do estudo “Mulheres no Ambiente de Trabalho 2020” da LeanIn.Org e Mckinsey, divulgado ontem (30/09/20). Embora a amostragem seja preponderante de empresas americanas, estas conclusões servem de parâmetro para o mercado nacional e não devem passar despercebidas do C-Level.

Recomendo a leitura completa mas destaco alguns dos achados relevantes:

  • Os níveis de stress reportados na pesquisa são mais intensos nas funcionárias mulheres;
  • Nos casais em que ambos trabalham fora, as mulheres tem o dobro de probabilidade de passar 5 horas ou mais em tarefas domésticas;
  • Uma em cada três mães considerou deixar o mercado de trabalho ou reduzir suas carreiras por causa do COVID-19.

O esforço na promoção de equidade de gênero é realidade em algumas Companhias no Brasil mas esta o caminho ainda é longo e não se pode descuidar dos avanços já obtidos. Para tanto, é crucial que as empresas revisitem suas diretrizes organizacionais, discutam abertamente opções com seus times e avaliem quais benefícios fazem mais sentido nesta nova configuração corporativa. O “novo normal” deve preservar – ao menos – a diversidade já conquistada e reconhecer os sacrifícios individuais que cada perfil de colaborador tem exigido.

A contribuição da Benefício Legal neste sentido é o desenvolvimento de soluções voltadas ao combate à violência doméstica, um mal que sempre acometeu as mulheres brasileiras em grande escala e que esteve por tempo demais confinada entre quatro paredes. Se a sociedade civil e o empresariado já vinham discutindo o enfrentamento desta questão antes da pandemia, a ascensão do trabalho remoto e a confusão dos ambientes casa-trabalho tornam a questão mais atual do que nunca.

Boa leitura !

https://www.mckinsey.com/featured-insights/diversity-and-inclusion/women-in-the-workplace


Fabiano Moraes

Cofundador da Benefício Legal

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